Estima-se que no Brasil cerca de 600 mil mulheres sofram com os sintomas e conseqüências, desta doença que pode ser considerada um mal da mulher moderna.
A endometriose é uma doença que pode causar muitos transtornos para a mulher e até mesmo comprometer o sonho de ter um filho, pois 30% a 40% dos casos de infertilidade estão relacionados ao problema. Ela caracteriza-se pela presença e crescimento do endométrio, tecido que reveste o útero e descama durante a menstruação, fora do órgão.
Entre os principais sintomas da endometriose estão: dor pélvica crônica, cólica menstrual, dor nas relações sexuais, alterações intestinais no período menstrual, dor lombar e sangramento uterino anormal. Há ainda casos de pacientes sem sintoma algum que acabam descobrindo a doença somente quando precisam realizar alguma cirurgia ou iniciam uma investigação das causas da infertilidade.
Acredita-se que uma das principais causas da endometriose seja o refluxo de sangue menstrual que seria eliminado pela menstruação para o interior do abdome através das tubas uterinas. "Esse sangue reflui com células endometriais que acabam se fixando na parede dos órgãos da pelve (ovários, trompas, intestino, etc) e, devido a ação dos hormônios, elas crescem dando origem a inflamações que podem resultar em aderências que comprometem a anatomia dos órgãos e conseqüentemente a função reprodutiva", explica Dr. Nelson Antunes Júnior, médico especialista em reprodução humana um dos diretores da Clínica Mater.
A mudança do estilo de vida das mulheres modernas, fez com que elas adiassem o desejo reprodutivo em detrimento da formação acadêmica e profissional, demorando mais para engravidar e tendo menos filhos, com isso elas passaram a menstruar mais vezes ao longo da vida, favorecendo o aparecimento da doença. No grupo entre os 28 e 34 anos, idade em que normalmente as mulheres estão planejando uma gravidez, a incidência é em torno de 10%.
Normalmente o diagnóstico da doença é realizado por meio de uma avaliação clínica detalhada, na qual são consideradas as alterações que podem sugerir a doença e confirmado pela videolaparoscopia. Além disso, exames complementares como pesquisa de anticorpo anti-endométrio, ultra-sonografia pélvica e ressonância nuclear magnética também auxiliam no diagnóstico.
Com relação aos tratamentos, o ideal é que a paciente avalie em conjunto com o médico qual a melhor opção para o seu caso, levando em consideração inclusive o desejo de engravidar. Em mulheres que não pretendem ter uma gestação é possível fazer um tratamento clínico mais brando com o uso de anticoncepcionais. Já as que desejam engravidar podem ter que se submeter a cirurgias ou mesmo optar pela técnica de fertilização in vitro.