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Releases Hospital Vivalle
[01/06/09 ]
“Maria das Dores” ou portador de fibromialgias?


Pacientes com queixas de dores intensas sem causas aparentes que até pouco tempo atrás eram estigmatizados agora já tem um diagnóstico e tratamento adequado para voltar a viver sem essa companheira indesejada

Até bem pouco tempo pessoas que se queixavam de dores musculares generalizadas, dormências dos membros, sensação de inchaço em alguma parte do corpo e cansaço excessivo sem causa aparente, faziam diversos exames que não diagnosticavam nada, muitas vezes eram taxadas pejorativamente de “Maria das Dores”. Hoje, se constatou que muitas vezes elas, na verdade, são portadoras de fibromialgia, uma doença muito comum entre pessoas deprimidas ou ansiosas, que além dos sintomas acima pode ainda provocar alterações do sono e do fluxo intestinal.

“Como a fibromialgia não é diagnosticada por nenhum exame de imagem ou laboratorial e sim através das queixas, do histórico do paciente e pela apalpação de 18 pontos do corpo que normalmente são muitos dolorosos nessas pessoas, muitas vezes elas ficam perambulando sem um diagnóstico, sofrendo e até mesmo deixando atividades diárias”, explica a neurocirurgiã especialista em dor, Dra. Carla Ceres Villas Miranda.

De acordo com a especialista, ainda não é possível identificar qual a causa exata da fibromialgia, mas normalmente ela é desencadeada por um fato dramático na vida da pessoa. Além disso, ela também costuma estar associada a excesso de peso e a falta de exercício físico, bem como acomete mais mulheres do que homens, em uma proporção de 4 para 1. “Muitas vezes quando os pacientes chegam ao consultório ele não consegue identificar quando começou a sofrer com a doença, mas ao longo do tratamento se lembra que o quadro se iniciou após um evento como  a morte de um familiar querido, uma violência sofrida, um divorcio, ou qualquer outra situação muito difícil pela qual ele passou”, disse a médica.

Apesar de ser uma doença crônica, cuja cura definitiva ainda não foi descoberta, é possível controlar os sintomas da fibromialgia e viver bem. O tratamento, que normalmente é feito por médicos especialistas em dor (reumatologistas, neurologistas e anestesistas), pode contar com apoio multidisciplinar e envolver acompanhamento psicológico e é feito com medicamentos que promovem o relaxamento muscular e combatem a depressão e ansiedade. Além disso, o exercício físico é altamente recomendável. “Apesar de no início ser dolorosa e muitos pacientes serem resistentes a ela, como o tempo, a atividade física traz um ótimo resultado. Eu tenho pacientes que após um período usando medicação e fazendo exercícios, passaram a controlar a doença somente com atividade física”, afirma Dra. Carla.

O mais importante, de acordo com a neurocirurgiã é não se acomodar a viver com a dor, buscar ajuda médica especializada e lutar para manter-se ativo.

Dor pode ser benigna, mas deve ser combatida logo no início
Apesar de não ser agradável, sentir dor é algo natural, importante e até mesmo benéfico, pois ela funciona como um alerta de nosso organismo de que algo não está bem. No entanto, quando a causa da dor não é diagnosticada, ela persiste por longos períodos e aumenta de intensidade, ela deixa de ser um aviso e torna-se um limitador que pode até mesmo impedir a pessoa de ter um bom convívio social.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam a dor deve ser tratada logo no início. Deixar que intensidade aumente pode trazer consequências sérias e até mesmo prejudicar a recuperação de pacientes cirúrgicos.
“A importância do tratamento adequado da dor é tão grande que hoje ela já é considerada um sinal vital, já há escalas para classificá-la para que ela seja tratada e não prejudique a recuperação dos pacientes, principalmente no ambiente hospitalar”, disse Dra. Carla.

No Hospital Vivalle, em São José dos Campos, o controle da dor dos pacientes é feito a cada 6 horas ou até mesmo de 2 em 2 horas, nos casos de maior complexidade, e tem como base de medição uma tabela usada internacionalmente, que classifica a dor de 0 a 10. A avaliação é feita a partir da queixa do paciente e dos sintomas clínicos apresentados.

Intensidade da Dor
0: O paciente não se queixa de dor e não há o registro de mudanças clínicas;

1 a 3: O paciente diz que a dor é suportável. O enfermeiro, no entanto, não vê mudanças clínicas. Tratamento: analgésicos comuns, como dipirona, paracetamol e ácido acetilsalicílico;

4 a 6: Queixa de dor intensa, com sintomas clínicos tais como aumento da freqüência cardíaca e agitação. Tratamento: analgésicos comuns, mais opiáceos (derivados de ópio) leves como codeína e tramadol;

7 a 10: O paciente diz que a dor é insuportável, ele geme e chora e tem aumento da freqüência cardíaca e pressão, além de suor excessivo. Tratamento: analgésicos comuns, mais opiáceos fortes como morfina.

 


 

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